Homilia Ordenação Diaconal

 Queridos irmãos e irmãs. A passagem do Evangelho (Jo 15,9-17) que acabamos de ouvir se situa no contexto da última ceia, durante a qual Jesus nos deixa, juntamente com a Eucaristia, o gesto do lava-pés, como sinal de serviço humilde e de doação da própria vida. Os diáconos têm a sua espiritualidade própria centrada no seguimento de Jesus Cristo, Servidor: Cristo Servo que lava os pés dos seus discípulos. Jesus Crucificado que doa a sua vida na cruz.  Ambos os gestos são expressão de amor, do verdadeiro amor que Deus tem por nós.

O diácono é chamado a ser servidor do Senhor e de sua Igreja. O diaconado é um grande dom de Deus, mas não pode ser entendido como honraria ou fonte de privilégios. O diaconado é serviço, enquanto ministério ordenado. Para exercer o diaconado, é preciso ter o coração e a vida de servo do Senhor e de servidor da Igreja.

O diácono é chamado a ser servidor, especialmente dos mais pobres e sofredores, como nos recorda o livro dos Atos dos Apóstolos (At 6,1-7b), ao relatar a instituição dos Sete, reconhecidos como os primeiros diáconos de nossa Igreja. Os apóstolos escolheram sete homens “cheios do Espírito Santo e de sabedoria”, e lhes impuseram as mãos, em primeiro lugar para o serviço da caridade, isto é, da partilha do pão entre os mais pobres. A Igreja de Manaus repete hoje aquele gesto apostólico, confiando a estes nossos dois irmãos o ministério diaconal, suplicando a Deus que estejam sempre “cheios do Espirito Santo e de sabedoria”, como os primeiros diáconos, a fim de se tornarem verdadeiros servidores de Cristo.

Desde as origens apostólicas, o diácono está ligado ao serviço da caridade. Trata-se da vivência da caridade, que é o amor cristão, de modo espontâneo, mas especialmente, de modo organizado, assumido pela comunidade. Somos chamados a ser Igreja Servidora, misericordiosa, fraterna, solidária e acolhedora, contando com os diáconos.  Sendo geralmente curto o tempo de experiência diaconal para os que serão ordenados presbíteros, é preciso redobrar os esforços para vivê-lo ainda mais intensamente através do tríplice serviço que lhes é confiado: Serviço do Altar, o Serviço da Palavra e o Serviço da Caridade. O tríplice serviço prestado pelos diáconos deve ser vivido de modo harmônico, sem descuidar de nenhum dos três.

Numa Igreja que quer ser missionária, o Serviço da Palavra reveste-se de uma importância cada vez maior. Por isso, os ordenandos irão receber logo mais o livro do Evangelho. Sávio, João, Eduardo e Pedro, guardem no coração e procurem viver o que a Igreja lhes diz no momento da entrega da Bíblia: “transforma em fé viva o que leres, ensina aquilo que creres e procura realizar o que ensinares”.  Sejam ouvintes e praticantes da Palavra! Ajudem o nosso Povo a conhecer e a viver a Palavra de Deus! Proclamem a Palavra de Deus não apenas nas celebrações litúrgicas, mas no dia a dia, evangelizando através do testemunho.

Lembrem-se também da dignidade do serviço do Altar, que irão desempenhar, através da colaboração nas celebrações da Eucaristia nas funções que lhe são próprias, na celebração dos sacramentos do Batismo e do Matrimônio e nas Celebrações da Palavra. Rezem com a Igreja e pela Igreja a Liturgia das Horas. A vida de oração dos ministros ordenados seja estímulo para os fiéis rezarem sempre mais e melhor. Tenham sempre zelo pela liturgia e participem do altar não apenas como executores de tarefas, mas como ministros que dele se aproximam buscando a santidade e a graça de Deus.

“Não fostes vós que me escolhestes; fui eu quem vos escolhi e vos designei para produzirdes fruto e para que o vosso fruto permaneça”. Este trecho do Evangelho, escolhido por mim para esta celebração, expressa em primeiro lugar, a consciência da gratuidade do chamado: a nossa vocação é dom de Deus, fruto do amor misericordioso de Deus, sustentada pela graça de Deus.

Ao mesmo tempo, o trecho escolhido pressupõe responsabilidade diante da gratuidade do chamado. “Eu vos escolhi para produzirdes fruto e para que o vosso fruto permaneça”, afirma Jesus. Nós temos a responsabilidade de produzir os frutos esperados por Cristo dos seus discípulos e missionários. Permanecer no amor implica em observar os mandamentos. A experiência da gratuidade do chamado, se for verdadeira, leva à conversão e a vida nova.  Confiar no amor de Deus, saber que Deus nos ama como somos, deve ser motivo para corresponder cada vez mais à graça recebida, crescer cada vez mais na vida cristã, ser fiel, jamais se acomodando na vida espiritual. Na verdade, a passagem de João que ouvimos, fala de “fruto”, no singular, de “fruto” que permanece.  O próprio Jesus nos esclarece qual é este fruto que permanece ao nos deixar o mandamento novo: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. O amor, a caridade, é este fruto que Deus espera dos seus discípulos.

Cada um dos novos diáconos, ao receber o ministério diaconal, assume o compromisso de celibato, belo e exigente, expressão da oferta total de sua vida pelo Reino de Deus, sinal da sua disponibilidade generosa de amar e servir a todos. O celibato não é uma simples renúncia ao casamento para viver sem compromisso. O simples não se casar poderia ser até cômodo no mundo de hoje, com tantos desafios para a vida matrimonial. Sendo celibato pelo Reino de Deus, somente poderá ser vivido e sustentado pela acolhida constante da graça de Deus, por uma vida intensa de oração e meditação da Palavra que tem seu ápice na Eucaristia e ainda através do amor fraterno e da caridade pastoral. O celibato deve ser vivido na castidade, com o esforço sincero e a confiança na graça de Deus. Ele se torna fonte de alegria e de fecundidade espiritual para os que se dispõe a vivê-lo com coerência e responsabilidade.

O ministério diaconal é graça, é dom de Deus, sustentado pela graça de Deus. Quem o recebe refaz a experiência do profeta Jeremias (Jr 1,4-9) que reconhece a sua pequenez diante da grandeza da missão profética que recebia. Mas assim como ocorreu com Jeremias tenham a certeza da presença de Deus sustentando aqueles que ele chama e envia: Não tenhas medo, eu estarei contigo. É a Palavra que o Senhor dirige hoje também aos novos diáconos: “Não tenhas medo, pois eu estou contigo”. Não tenham medo diante dos desafios pastorais e exigências do ministério. Além disso, os novos diáconos também podem contar com a presença amiga, com a oração e o apoio fraterno da Igreja, de familiares, amigos, membros do povo de Deus aqui presentes e muitos que estão unidos a nós pelos meios de comunicação que transmitem esta celebração.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

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